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Leishmaniose

Sinais clínicos, tratamentos e prevenção

A leishmaniose é uma doença infecciosa, não contagiosa, que acomete o homem e alguns animais, especialmente cães e roedores. Trata-se de uma enfermidade endêmica em quase 50 países, inclusive no Brasil, e é causada pelo protozoário leishmania chagasi. Existem duas formas da doença: a cutânea ou tegumentar, e a visceral. A primeira caracteriza-se por feridas dispersas pelo corpo, principalmente nas partes desprovidas de pelos, podendo acometer também mucosa do nariz, boca e garganta. Neste aspecto, o sacrifício do animal não é exigido. A segunda, popularmente conhecida como calazar, é uma doença sistêmica que acomete diversos órgãos como o baço, o fígado e medula óssea. A evolução dessa forma da doença é longa, podendo durar meses ou até anos, e é a mais comum em cães. 

 

Contágio: 

O protozoário leishmania chagasi é transmitido pela fêmea do mosquito flebótomo, o popular “birigui” ou “mosquito-palha”. O inseto é hematófago, portanto se nutre do sangue de animais ou pessoas. Se o sangue que ela sugou estiver contaminado com o parasita, o mosquito fêmea torna-se o transmissor da doença. Basta uma picada para que ele adquira o protozoário e uma picada para transmiti-lo.

Embora seja considerada uma zoonose (doença que pode ser passada de animais para os humanos), a leishmaniose não é transmitida diretamente dos cães para as pessoas. O contágio só ocorre se a pessoa for picada por um mosquito-palha que antes tenha sugado sangue de um portador do protozoário causador da doença.

O mosquito-palha pode ser identificado pela sua característica mais marcante, a cor clara semelhante à cor de palha. Seu corpo é bem pequeno e ele costuma voar dando saltos e pousar mantendo as asas levemente erguidas. Esses insetos preferem viver em lugares baixos, próximos ao solo, úmidos, pouco iluminados e pouco ventilados, e onde há matéria vegetal em decomposição (folhas, galhos, troncos). Ele também vive em galinheiros, canis, paióis, áreas externas de casas e, eventualmente, dentro de casas. De hábitos noturnos, a fêmea sai em busca de alimento no fim da tarde e continua sua procura durante toda a noite. 

 

Sinais clínicos: 

Os sinais clínicos da leishmaniose são diversos. Manifestam-se principalmente na pele do animal, que pode apresentar dermatites, descamação, queda de pelo e ulcerações, crescimento exagerado das unhas, além de emagrecimento progressivo, hiporexia (perda de apetite), atrofia muscular, anemia, apatia, febre e aumento dos gânglios linfáticos. Internamente, rins e fígado são os órgãos mais afetados. O animal pode ainda ter diarreia, sangramento e lesões oculares, entre outros sintomas. Quando atinge um estado mais grave, a leishmaniose pode atacar o sistema imunológico do cão, provocando o surgimento de doenças autoimunes. 

 

Diagnóstico: 

O diagnóstico definitivo da leishmaniose é complexo e precisa de investigações precisas. Somente o médico veterinário é capaz de fazer esse diagnóstico, associando a sintomatologia clínica do animal aos resultados dos exames hematológicos e citológicos. Os testes sorológicos realizados pelo governo devem ser utilizados como forma de triagem e não de diagnóstico, portanto não justificam a eutanásia do animal. 

 

Tratamento: 

O tratamento para leishmaniose canina apresenta similaridades à leishmaniose humana, como por exemplo: 

- Cura clínica: caracterizada pela ausência dos sinais da doença.

- Cura epidemiológica: não transmitem mais a doença, porém, os cães, por serem bastante suscetíveis, podem apresentar recaídas.

 - Ausência de cura parasitológica: o parasita ficará para sempre no organismo. Assim como os humanos, os animais infectados, mesmo tratados, serão portadores do parasita o restante de suas vidas e deverão realizar controles rígidos. Por conta disso, os cães deverão ser acompanhados pelo médico veterinário e realizar exames laboratoriais periódicos, para verificar se o animal se mantém não infectante e saudável. 

 

Prevenção: 

Diante da gravidade da leishmaniose e das dificuldades do tratamento, a prevenção apresenta-se como principal arma contra a doença. Ela é realizada por meio da vacinação e controle do flebótomo. O tratamento não é forma de controle e é uma das alternativas menos preconizadas para tal. O controle é feito com o uso de coleira repelente para prevenir a aproximação do inseto, uso de repelentes no recinto, limpeza do ambiente para evitar o acúmulo de material orgânico, evitar passeios nos horários de crepúsculo e telar os canis. 

A eutanásia é a forma de controle menos eficiente e, portanto, deve ser a última escolha. Prova disso é que a política brasileira de prevenção da doença, por meio da eutanásia de milhares de cães, não proporcionou nos últimos 50 anos, nenhuma mudança no controle da doença. 

A vacina contra o protozoário oferece mais de 90% de chance de proteção a cães e a primeira dose deve ser aplicada a partir do quarto mês de vida. Depois dela, outras duas doses devem ser aplicadas, com intervalo de 21 dias desde a última dose. Após o primeiro ciclo de vacinação, o animal deve receber uma dose anual da vacina a partir da primeira dose. Vale ressaltar que não é possível confundir cães infectados com os vacinados. 

 

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